As cenas eróticas em filmes e novelas que crescemos assistindo, o sexo é uma grande performance, cheia de poses e posições pouquíssimo compatíveis com o prazer feminino – mas ainda assim o clímax parece sempre simples de se alcançar. O gozo de uma mulher nunca foi exatamente pra ela, mas sim pro outro. E se ela quiser explorar sozinha, aí já é demais: tira a mão daí. É por tudo o que nos ensinaram que, para muitas mulheres, o caminho até descobrir o orgasmo é demorado, atravessado por culpa, desinformação, insegurança e longos silêncios.
No capítulo de Vale Tudo que foi ao ar na última sexta-feira (7), Leila, personagem de Carolina Dieckmmann (@loracarola), viveu esse momento de descoberta sexual em uma cena rara na dramaturgia brasileira. Aos 40 e poucos anos, depois da maternidade, sendo uma mulher independente e bem resolvida aos olhos do mundo, ela percebe depois de uma noite com Marco Aurélio (Alexandre Nero) que nunca havia tido um orgasmo. “Acabei de descobrir que prazer e orgasmo são duas coisas diferentes. Minhas amigas falavam e eu achava que era exagero”, confessou a personagem, quase se desculpando por ter demorado tanto. Mas ela não está sozinha.
Uma pesquisa feita nos Estados Unidos e publicada na Sexual Medicine mostra que 46% a 58% das mulheres heterossexuais já viveram o ápice do prazer no sexo, enquanto entre os homens (de todas as orientações sexuais) esse número varia entre 70% e 85%. Mulheres lésbicas e bissexuais são as que relatam mais orgasmos. Isso acontece porque sexo sempre foi sinônimo de penetração e o prazer feminino era tratado como um detalhe. Em 2022, a jornalista Milly Lacombe (@mlacombe) escreveu na Tpm sobre como descobrir o próprio orgasmo – seja sozinha ou acompanhada –, é quase um ato político. “Quando a gente se apropria do orgasmo, a gente se apropria de direitos básicos, e, ainda mais potentemente, se apropria dos nossos desejos”, escreveu. “Eis aí a verdadeira liberdade: reconhecer nossos desejos. O caminho da emancipação passa pelo gozo. Um mundo assim desenhado tem enorme potencialidade de transformação.”
Foto: Reprodução / Globo
Texto e imagem: RevistaTPM

